quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Primeiro passo ...


Pés num lugar belo,
Num belo momento.
Andando pra calar,
Calando
O distanciamento,

Gritando junto ao pulso
Do músculo que derrama vida
Ao corpo que valeu a pena esperar.

imprevisível,
Sem saber como vai ser,
Não muito programado.

A espera surpreende
Quando se tem capacidade
De viver o seu tempo
Sem saltar degraus e
E há coisas que até antecipa,
Quando o ponto de vista
É de preparação e não de demora.

O inesperado acontece,
Você aparece,
Os abraços lançam-se
Longos e mais perfeitamente
Depois da chuva de verão que
Arrefeceu o clima quente e
A ansiedade latente.

Nos próximos minutos inteiros
Há tantas entrelinhas
Que nessas linhas
Não se pode
Descrever,
É difícil.

Aliás, dificuldade que,
Nesse caso é boa de se ter,
Demonstra que esse todo
Vai um tanto além,
Muito além de
Textos, de palavras e frases prontas.

Sob a luz do sol da tarde,
O pouco que se torna muito,
Simplicidade que nos invade.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dizer sem falar ...


Estou fazendo as malas,
Vou viajar para ver
Quem eu quero ter

Para sempre.

Entre uma parada e outra
A distância vai se transformando
Numa coisa que não sei descrever,
Como se a saudade continuasse a bater,

A porta quase por se abrir e
Por algum tempo,
Por agora sem medida,
Outro visitante habitará e
Tomará conta
Do lugar onde o músculo mais vital
Pulsa ritmicamente vida
Para todo o corpo.

Qual será o novo hóspede do meu peito?
Não é fácil definir,
É um misto de sentimentos,
Mas imagino simplicidade de verdade
Mesmo que não pareça ser, como

Desculpar,
Crer,
Esperar,
Suportar,

Abraçar sem dizer e
Dizer sem falar,
Falar com o olhar e
Olhar ao fechar
As íris.

Deve ter um nome específico,
Mas desnecessário explicar,
Quem me espera
Entende fácil.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Prelúdio ...


É um tanto difícil de descrever,
Mas se pudesse adiaria o fim daquele momento.
Sentados na mureta, no relento do vento,
Contentamento.

Se deitássemos
Como eu havia sugerido
A grama nos sustentaria,
Se impulsionássemos à frente nosso pé
O chão alcançaria.
Ficamos ali por vários minutos inteiros,
Parecia cena de filme e
Muito bem produzido aliás.

Fotografias em cores vivificantes ,
Verdes, campos, grama, inebriante,
Barracas coloridas, rodas
De vôlei, futebol, prosas, transeuntes,
idílico.

Como se estivéssemos na primeira fila
De um espetáculo,
Como se fossemos os câmeras guias
Da história,
Ao mesmo tempo protagonistas e
Sentinelas em um misto desse todo.

A trilha sonora mais constante
A todo instante,
Sua voz.

Eu falei do texto e
Tentei explicar o contexto,
O tempo impiedoso não esperou,
Mas contigo qualquer pouco é estimado
Como muito e todo muito
Como se fosse nada,
É uma medida completamente
Diferente, ou melhor,
Que não se pode medir.

Em minha voz rouca algumas
Interjeições saiam fragmentadas,
Disse me sentir estranho por isso,
Já a sua estava clara como
Sua tez de face,
Como sol de primavera,
Como o dia e
Se trata de um belo dia,
Daqueles que esperamos
Com ansiedade visível na mente,
Ainda antes de chegar.

Contagiado por sua presença
Seja ela física ou não e
Por todos os personagens desse
Agregado alcançado na prática,
Redijo, imagino, reescrevo com esmero,
Acredito, insisto, espero,
Aprecio
O que você
Me influência a dar forma.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sintoma ...


Um tanto de dor ao redor do peito,
Um pouco a cada instante,
Ocasionada por algo alastrante,
Fragmentos da sua saudade
Que me invade.

Um abraço seu faria passar,
Alentar
E quando eu já estivesse ficando sem ar,
Seu sorriso contagiante me acalmaria
Como musica,
Transmissora de tom próprio e verdadeiro.

Ouvir sua voz
Etérea e ter três
Segundos do seu olhar,
Faria-me poetizar
A mais verve prosa,
Com as mais belas palavras,
Já deixando para trás a dor.

De que se pode chamar isso,
Se não insinuação?
Sinal circunstancial?
De querer bem?
De querer ver?
De querer ter?

domingo, 17 de agosto de 2014

Era uma vez um verso ...


Um papel em branco, uma tela limpa,

Uma descrição romanceada de fatos puramente imaginados, anedóticos.
Sem carecer interrogar “cadê você”, semeou-se no vento e
deixa-se ceifar na brisa leve ou na tempestade,
na oscilação brusca ou inerte suave.

Tal qual uma coisa que envolve, enviesado, tendendo ao meu lado, me ganha no primeiro discurso,
por mim mesmo narrado e comigo mesmo discutido em uma fluência impressionante,
mas perece descaminhar das atenções desinteressadas.

Tal vez frente a poemas lacrimejei e numa palavra ou entre duas escondo-me
acanhado perseguindo uma rima despercebida ladeada por seus sons,
caminhara urbanamente contagiado pelo que ruralmente resistira autêntico,
apropriando-me do olhar clinico das duas dimensões,
nas trilhas desse tom sentira-me na primeira fila do melhor espetáculo.

Talvez os versos interajam com os traços de personalidades
das faces que a encontram ou
que são encontradas, inseridas lado a lado como em nuvenzinhas
as imagens movem-se vagarosamente na mente e
vão metamorfoseando-se cadenciadamente em uma reunião de palavras.

Observara tudo, durou pouco e tudo fora se dispersando
junto com o cheirinho gostoso de poesia exalando.

Alguns dísticos ficaram nos rascunhos, neologismos comparecem como um nervo estimulado e
maneirismos sempre tem cada um com o seus, embora nada medicamentoso (risos).

O lirismo e suas subjetividades causam o ato – verso – instigante,
desconexo se não inteligíveis,
mas vale conhecer, vale esmiuçar,
vale dar chance ao verso.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Antiga Manhã ...



Pela janela olhara os galhos ruborizados dos pinais,
secura do outono, proximidade do inverno e necessidade da primavera daquela manhã.
Fora como olhar pelo retrovisor, nostálgico inicio de dia que não volta mais,
quanto aos pinhais mais adiante eles florescerão novamente, turnês de cores vivas, chamejantes,
que sempre fazem ao encontrar a brilhante estação.

Ouvira pássaros e suas personalidades desajustadas a conversar, caminhar pelas avenidas avermelhadas, trechos de esquinas e paralelas verdejantes, mas não floridas.
No meio do falatório, distinguira o elegante canto de um bem-te-vi antes
de nota-lo entre os transeuntes.
Anormalidade urbana e sua fervilhante vida,
a cada pouco mais despercebida de nossos olhos apressados e ouvidos indolentes.

Vagara ali para fora entre o nascer do sol e o meio dia, não a esmo, vivífico.
Assaltara-me o olhar antes mesmo que eu tivesse a oportunidade de dizer:
“quero ver-te”,
de jeito que não foi um incomodo permanecer ali por horas a fio.

Um sorriso, um pouco de dor ocasional pela saudade que ainda invade
e a elegera como uma joia constante, de brilho intenso, a altura de seu nome e,
além de tudo mais, se num dia de alegria todos estiverem se ausentado,
brinde, saúde, volte atrás, veja adiante, agora torne-se, caia, levante-se, leia, narre,
redija antiga manhã.


domingo, 20 de julho de 2014

Nostalgiando ...


Saudade,
Fala-se de uma saudade que ainda não se sabe se existe reciprocidade.
Fala-se do sorriso, do abraço, do cachecol e dos laços.
Fala-se da rede que não há mais, por isso também pensei em deixar para trás.
Fala-se da dor de cabeça que não cessa, dos dois remédios tomados e do parque de águas que agora deixa todos molhados.
Fala-se do presente inusitado que ainda nem foi dado, não são flores recém-colhidas nem chocolate ao leite ou meio amargo.
Fala-se do musical, do luau, da musica que fiz pra você, verdade, não sei esquecer.
Fala-se da sinceridade, da beleza e da pureza, de entender o que eu quis dizer quando assim te retratei.
Fala-se das desculpas não dadas, depois dos risos pela piada e o sugerido abraço de pagamento era um alento.
Fala-se do friozinho na barriga, contudo a vista por cima das silabas é atrativa, pra descer dizem que o freio é de imã, dispondo bem as palavras e simplificando em três segundos a rima.
Fala-se do sono que nos pegou, do orvalho da manhã, do vento no fim de tarde, do boa noite e da previsão que invernou.
Fala-se do cabelo desgrenhado, foi engraçado, quando falou foi disso que lembrou.
Fala-se de convidar, de aceitar, de agradecer, de se alegrar.
Fala-se da semana cheia de coisas boas ainda que venha com garoa, pingo, gota, nuvem, bruma, raio, eu saio, mas a saudade não me deixa.
Fala-se da nostalgia que não passa, balbuciando romanticamente
como vento doce de primavera que a gente sente:
“se você estivesse aqui”.
Fala-se, grita-se, silencia-se:
“se você estivesse aqui”
Fala-se de gratidão e de... até em breve então.