terça-feira, 28 de julho de 2015
Dores no relento ...
Invernias sem cobertores,
Sóis sem ventiladores,
Ar sufocado, parado,
Inerte.
Primavera ao longe
Perseguida dentre escolhos,
Fenda, greta, fresta.
E, muito embora seja difícil escolher
Qual a estrada menos latejante
Em virtude das estreitezas e
De noite já escura em plena a
Clareza da tarde que sorria,
Nem pondero um talvez,
Por agora é o dia.
Sou nesta hora um desabrigado
Em busca de alento,
E há um choque
Quando me torno um maltrapilho,
Onde minhas vestes
Não me escondam mais e
Que máscaras não façam mais
Ser eu o que não sou,
Quando me desnudo
Diante do Eu Sou.
Então há esperança
De abraço que aquece invernos,
De brisa leve nos verões,
De passos sem inércia,
De primavera que aflora
Não por fora,
Mas no coração
Que se despiu à Sua chegada.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Um texto sem título ...
Porta rangente,
Som do vento, ventilador portátil barato,
Calor der novembro de país tropical.
Uma rosa caída, pus de lado, luz esmaecida,
Livros a torto e a direito são a primavera fresca e colorida
Desse pequeno quarto, terceiro andar.
Na escada passos para trás ou adiante,
Subordinados, ponderação, insubordinados,
Fiascos, tolices, berros, despudor.
Na sacada sem as mãos nas bordas,
Poeira em excesso, excremento de aves.
Sobem de soslaio com a barriga cheia
De petiscos lançados
De transeuntes na avenida lotada,
Adubo do verso, da rosa caída
Que cresce no muro do país tropical,
De primavera colorida.
Na parte sem sol,
A parte escura das vinte e quatro,
As torres em cruz da igreja matriz já iluminam,
Enxergam-me sempre pela janela,
Soergo o pescoço e devolvo o olhar
Um tanto fitado, fitante,
Por um inteiro instante,
Rogante, suave, leve e leva
A madrugada ilimitada,
Intercambiante, choramingando ante
A noite que tece seu principiar.
Fazendo as linhas de um título sem texto,
Isolado, amargurado
Por assim ser, outros não,
Acostumaram-se,
E de um texto sem título
Com um capitulo de uma pagina e meia,
Ora desconexo, ora inteligível,
Ora o elucidário posto de lado
Carece alcançar.
Outrora, mas a pouco os vidros da janela embaçaram,
Da temperatura da cabeça encostada,
Do ar quente da respiração,
Da chateza
Ignorada com a cortina pressionada
Em movimento circular.
Da pra escutar a conversa dos vizinhos
Do andar inferior,
Mas só se escuta claramente uma palavra ou outra,
Logo elas se embaraçam e
Tem-se poucas chances de desfazes o nó
No relento dos vocábulos,
No sereno sem resguardo, frio e
Fria misericórdia dos que passam olhando de canto
A quem dela tão precisando está,
Récita urbana diária, triste realidade,
Labutado ao braçal,
Sobre a terra molhada descalçada,
Chuva, sol,
Poeira dissipando no aguaceiro vertical
Do horizonte.
Me conte
Da tristeza que te esfria
Quando anoitece contra a vontade do seu dia,
Quando é noite,
E seus flashes sobreviventes iluminam
Sem querer do anoitecer,
E amanhece de repente como um presente?
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Sinta-se abraçado disse-me ...
Resplandecendo sua iridescência
Particular,
Diz-se de duas proposições das quais
Uma implica necessariamente a outra,
Logo, esta é uma narrativa que não haveria
Sem a sua presença.
Fala-se de dois conversadores,
Que partilham até suas dores,
Invasores
Vestigos de saudade que invade
Minutos inteiros, dias intensos e vice e versa,
Vivências
De sua fé e um futuro encontro num café.
Falam de abraços e de pouco a pouco
Vão estreitando seus laços,
Partilham seus lapsos,
Experiências das mais diversas,
Direitas e avessas,
Dentre tantas não citadas neste espaço.
Demorado e apertado, inesperado,
Reciprocamente bom, num tom
Que todo timbre cantarola
Sem cansar, sem cessar.
É como um beijo na testa
Que se sente e deixa contente,
Não pelo gesto isolado,
Mas pelo cuidado
Que reflete nas entrelinhas, contudo são linhas
Tênues,
Por vezes invisíveis a olhos nus
Desatentos.
Transbordante, contagiante, instigante
São suas alegrias
Nas prosas do dia-a-dia,
De sorrisos iluminantes que a cada pouco,
A cada instante
Fica um tanto mais brilhante.
Como se fosse um som
Que silencia ruídos indesejáveis,
Acalma a alma de quem alcança e lança
Seu perfume ao vento dizendo
Ainda de lábios fechados
"Mesmo não estando ao meu lado sinta-se abraçado".
É onde hospedara-se ultimamente o arrimo
De meus pensamentos e
Se a alegria fosse um lugar,
Certamente ali seria
Onde se encontrariam
A todo tempo.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Primeiro passo ...
Pés num lugar belo,
Num belo momento.
Andando pra calar,
Calando
O distanciamento,
Gritando junto ao pulso
Do músculo que derrama vida
Ao corpo que valeu a pena esperar.
imprevisível,
Sem saber como vai ser,
Não muito programado.
A espera surpreende
Quando se tem capacidade
De viver o seu tempo
Sem saltar degraus e
E há coisas que até antecipa,
Quando o ponto de vista
É de preparação e não de demora.
O inesperado acontece,
Você aparece,
Os abraços lançam-se
Longos e mais perfeitamente
Depois da chuva de verão que
Arrefeceu o clima quente e
A ansiedade latente.
Nos próximos minutos inteiros
Há tantas entrelinhas
Que nessas linhas
Não se pode
Descrever,
É difícil.
Aliás, dificuldade que,
Nesse caso é boa de se ter,
Demonstra que esse todo
Vai um tanto além,
Muito além de
Textos, de palavras e frases prontas.
Sob a luz do sol da tarde,
O pouco que se torna muito,
Simplicidade que nos invade.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Dizer sem falar ...
Estou fazendo as malas,
Vou viajar para ver
Quem eu quero ter
Para sempre.
Entre uma parada e outra
A distância vai se transformando
Numa coisa que não sei descrever,
Como se a saudade continuasse a bater,
A porta quase por se abrir e
Por algum tempo,
Por agora sem medida,
Outro visitante habitará e
Tomará conta
Do lugar onde o músculo mais vital
Pulsa ritmicamente vida
Para todo o corpo.
Qual será o novo hóspede do meu peito?
Não é fácil definir,
É um misto de sentimentos,
Mas imagino simplicidade de verdade
Mesmo que não pareça ser, como
Desculpar,
Crer,
Esperar,
Suportar,
Abraçar sem dizer e
Dizer sem falar,
Falar com o olhar e
Olhar ao fechar
As íris.
Deve ter um nome específico,
Mas desnecessário explicar,
Quem me espera
Entende fácil.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Prelúdio ...
É um tanto difícil de descrever,
Mas se pudesse adiaria o fim daquele momento.
Sentados na mureta, no relento do vento,
Contentamento.
Se deitássemos
Como eu havia sugerido
A grama nos sustentaria,
Se impulsionássemos à frente nosso pé
O chão alcançaria.
Ficamos ali por vários minutos inteiros,
Parecia cena de filme e
Muito bem produzido aliás.
Fotografias em cores vivificantes ,
Verdes, campos, grama, inebriante,
Barracas coloridas, rodas
De vôlei, futebol, prosas, transeuntes,
idílico.
Como se estivéssemos na primeira fila
De um espetáculo,
Como se fossemos os câmeras guias
Da história,
Ao mesmo tempo protagonistas e
Sentinelas em um misto desse todo.
A trilha sonora mais constante
A todo instante,
Sua voz.
Eu falei do texto e
Tentei explicar o contexto,
O tempo impiedoso não esperou,
Mas contigo qualquer pouco é estimado
Como muito e todo muito
Como se fosse nada,
É uma medida completamente
Diferente, ou melhor,
Que não se pode medir.
Em minha voz rouca algumas
Interjeições saiam fragmentadas,
Disse me sentir estranho por isso,
Já a sua estava clara como
Sua tez de face,
Como sol de primavera,
Como o dia e
Se trata de um belo dia,
Daqueles que esperamos
Com ansiedade visível na mente,
Ainda antes de chegar.
Contagiado por sua presença
Seja ela física ou não e
Por todos os personagens desse
Agregado alcançado na prática,
Redijo, imagino, reescrevo com esmero,
Acredito, insisto, espero,
Aprecio
O que você
Me influência a dar forma.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Sintoma ...
Um tanto de dor ao redor do peito,
Um pouco a cada instante,
Ocasionada por algo alastrante,
Fragmentos da sua saudade
Que me invade.
Um abraço seu faria passar,
Alentar
E quando eu já estivesse ficando sem ar,
Seu sorriso contagiante me acalmaria
Como musica,
Transmissora de tom próprio e verdadeiro.
Ouvir sua voz
Etérea e ter três
Segundos do seu olhar,
Faria-me poetizar
A mais verve prosa,
Com as mais belas palavras,
Já deixando para trás a dor.
De que se pode chamar isso,
Se não insinuação?
Sinal circunstancial?
De querer bem?
De querer ver?
De querer ter?
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